Médicos estão preocupados com futuro do Hospital São Miguel

Diagnóstico on line e despesas subdimensionadas

Um grupo de médicos mostra-se preocupado com o que está acontecendo com o Hospital Arcanjo São Miguel, especialmente em relação a licitação para a escolha da nova gestora.


Em correspondência ao colunista, os médicos questionam o modelo pretendido para a escolha, através de uma Organização Social (OS). Eles citam a contratação da Fundação José Arthur Boiteux, de Florianópolis, para a elaboração de Relatório Diagnóstico, visando o lançamento de futuro edital de licitação da nova gestora. Este relatório foi feito totalmente on line, segundo os médicos, o que implicou em vários diagnósticos equivocados. Dizem, ainda, que apesar do Município ter em mãos o relatório diagnóstico, desde outubro de 2025,  somente lançou o  edital de chamamento público no dia 23 de dezembro de 2025 com prazo para a apresentação dos documentos de qualificação, habilitação e das propostas técnica e econômico-financeira até o dia 7 de janeiro.


De acordo com os médicos, a licitação  apresentava, em tese, todas as características de direcionamento da licitação ao IDEAS , que chegou inclusive a divulgar na mídia a sua contratação para gestão do Hospital São Miguel. Hoje a entidade está inabilitada para assumir qualquer contrato público, tendo em vista problemas de má gestão ocorridos em Criciúma (SC).


Os médicos também chamam a atenção para o fato da Prefeitura insistir em estabelecer as despesas do hospital em R$ 4,9 milhões mensais, quando seriam necessários, no mínimo, R$ 5,1 milhões. Somente o dissídio de 5% em abril vai aumentar a folha salarial em R$ 574 mil. Até então, a folha salarial do São Miguel era de R$ 11,4 milhões anuais. "A manutenção do certame nesses termos também afasta potenciais interessados com capacidade técnica e financeira para assumir o serviço de forma séria", afirmam os médicos na correspondência. Além disso, a Fundação contratada pelo Município não previu a desatualização de várias especialidade médicas, "que estão ensejando repactuações com impactos financeiros de 79 a 107% nos contratos".


Por fim, os médicos chamam a atenção para o fato de recursos estarem parados e não serem aplicados no hospital. É o caso de R$ 1.7 milhões para a reforma e adequação do Centro Cirúrgico, e de R$ 2,09 milhões para o serviço de hemodiálise. Neste último caso, cerca de 17 gramadenses precisam se deslocar diariamente para outras cidades a fim de realizar a hemodiálise.

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