
'Se tivesse torre no aeroporto, o voo não teria acontecido'
Teto mínimo deve ser de 450 metros
Embora o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) somente vá se manifestar ao final da investigação, a condição meteorológica continua sendo a causa mais provável para a queda do avião bimotor que caiu domingo (22) em Gramado. A perda de orientação quando a aeronave entrou nas nuvens pode ter levado o piloto a fazer a curva à direita (em direção a Gramado), quando deveria ser pela esquerda, em direção a Três Coroas.
Segundo o presidente do Aeroclube de Canela, Marcelo Sulzbach, na hora da decolagem não havia visibilidade suficiente. Por ser um aeroporto que não permite realizar voos por instrumentos, as condições mínimas são de 5 mil metros de visibilidade e 450 metros de teto. No momento da decolagem, o Piper Cheyenne desaparece na neblina a menos de 20 metros de altura, como mostra uma câmera de segurança de um condomínio ao lado do aeroporto. "Esse voo não teria acontecido se tivesse uma torre, e muito provavelmente não teria acontecido se tivesse um AFIS (sigla em inglês que significa Serviço de Informação de Voo de Aeródromo)", afirma Marcelo Sulzbach, que é piloto profissional com mais de 10 mil horas de voo.
A instalação de um AFIS no aeroporto de Canela seria um acréscimo importante para a segurança dos voos. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), no entanto, informa que não existe a previsão de instalação do equipamento em Canela. Em nota, o órgão afirmou que o total anual de pousos e decolagens deve ser superior a 15 mil movimentos. Até o momento, o aeroporto de Canela realizou 2.273 movimentos em 2024.
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