
Se não fosse o MP, Gramado já teria perdido seu único hospital
Intervenção, Vorcaro e uma licitação rápida
Parece que agora a ficha caiu. Depois da prisão de Henrique Vorcaro, ligado ao escândalo do Banco Master, parece que os gramadenses se deram conta do perigo que o município passou em 2021. O pai de Daniel Vorcaro agia como o braço financeiro de um certo grupo Prolife para adquirir o Hospital Arcanjo São Miguel. O negócio foi anunciado com pompa e circunstância em uma coletiva na Prefeitura de Gramado, em 12 de agosto de 2021. Faltou cadeiras na mesa principal. Estive presente e contei 14. Instado a compor a mesa, o promotor Max Roberto Guazzelli declinou.
A preocupação do Ministério Público (MP) com o São Miguel é antiga. No início de 2016, o promotor praticamente compeliu o Município a fazer a intervenção administrativa da casa de saúde, sob pena de intervenção judicial. Na época, a associação responsável pelo São Miguel ameaçava fechar a UTI.
Quando surgiu o anúncio da venda do hospital em 2021, o MP ficou preocupado com as circunstâncias do negócio. A empresa que supostamente adquiria o Hospital tinha capital de R$ 10 mil. Em nenhum momento anunciava quem era o seu braço financeiro. Até que surge a figura de Henrique Vorcaro, que esteve em pelo menos dois lugares: o gabinete do prefeito Nestor Tissot (PP) e o gabinete do promotor Guazzelli. Acenavam com a construção de um novo hospital na Perimetral, em terreno que pertencia a um terceiro, e com imagens de um novo hospital, que só existia no papel.
Na verdade, Henrique Vorcaro mirava a valiosa área do Hospital São Miguel para realizar um negócio imobiliário, pouco se importando com o futuro dele. Se o negócio fosse finalizado, talvez hoje a área do São Miguel estivesse entre os bens bloqueados pela Justiça no escândalo do Banco Master. E Gramado estivesse sem um hospital.
Em 23 de dezembro de 2025, antevéspera do Natal, a Prefeitura de Gramado lançou um edital para a concessão do São Miguel. O prazo era exíguo. Os interessados tinham até o dia 7 de janeiro para apresentar propostas e plano de trabalho. O certame foi com base na avaliação de uma consultoria catarinense. A vencedora foi outra organização catarinense, o Ideas, com problemas na gestão hospital em Criciúma (SC) e também em Caxias do Sul. O Ministério Público entrou em ação e ganhou liminar para suspender o certame. Hoje, o Ideas está na lista de empresas e instituições inidôneas, proibida de contratar com prefeituras e outros órgãos públicos.
O Município insistiu muito na contratação de uma Organização Social. Mas diante da inabilitação do Ideas, tem procurado outras instituições com credibilidade na área hospitalar. Mas entre os vários motivos para não haver interesse, está o fato da Prefeitura exigir um representante no Conselho de Administração. Ou seja, a atual administração municipal não quer perder a tutela do Hospital São Miguel, que hoje possui 430 servidores, sendo 80 médicos terceirizados.
Parceiros


















