
Remédios para dormir, psicólogos: a dor de quem sobreviveu
Noites de chuva e trovões ainda assombram
Depois de perder os pais e o irmão no deslizamento de terra ocorrido no dia 2 de maio de 2024 na Linha Pedras Brancas, Fernando Branchine já morou em três lugares diferentes. Hoje ele reside no bairro Altos da Viação Férrea, do outro lado do município, e relembra a saudade da família e dos amigos.
"É bem triste ainda, não vai passar tão logo", resume Fernando. Durante o último ano, ele precisou a recorrer a psicólogos e medicamentos para dormir. Depois de um tempo, decidiu suspender os remédios e passou a ter um sono normal. Mas a angústia volta toda a vez que vem uma chuva cercada de trovões. "A gente não dorme", relata Fernando, de 28 anos.
Aline Bandeira Barp morava na Linha Quilombo, onde os deslizamentos do ano passado provocaram a morte de uma vizinha. Hoje ela mora na Várzea Grande. A irmã Anelise também não conseguiu continuar residindo na Linha Quilombo, e se mudou para São Leopoldo, onde mora de aluguel. Um mês antes, ela havia mobiliado toda a casa em Gramado com móveis sob medida.
Seguidamente, as pessoas tentam consolar Aline dizendo "vocês estão vivos". "Sim estamos vivos, mas a que custo. Medicação, tratamento psicológico?", responde a sobrevivente da tragédia. "É um bicho que tem dentro da gente. Para dormir só medicada. Quando chove eu não tomo remédio. Deixo o carro na porta, todo mundo de roupa e a porta aberta.", relata Aline. "Essa dor eu não sei se vai passar um dia", resume.
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