O motivo que levou Vorcaro a desistir da compra do hospital

Empresário não queria seu nome na sociedade

Operador financeiro da anunciada compra do Hospital São Miguel, em agosto de 2021, nunca fez parte do quadro societário das empresas que se apresentavam como compradoras. Pressionado pelo Ministério Público (MP) para que seu nome estivesse na sociedade, o pai de Daniel Vorcaro recuou, e, este foi o principal motivo para que a venda não se concretizasse, e o Município acabasse comprando a casa de saúde.


Para se chegar a este final, é preciso relembrar os fatos anteriores. E perguntas surgem: se o Município de Gramado fez a intervenção administrativa no hospital (prédio e CNPJ) por que ela não levantou a intervenção quando a Seferin & Coelho comprou o hospital? Porque o promotor Max Guazzelli foi incisivo, ao dizer que a empresa não tinha um plano de operação do hospital. E se o município levantasse a intervenção e, o MP ajuizaria a intervenção judicial no dia seguinte. O MP exigiu, então, um plano de trabalho.


O plano foi apresentado, em parte, pois apesar do bom trabalho da consultoria,  o "plano de operação" era falho, pois indicava que o hospital, operaria sem filantropia, o que representaria mais de R$ 1 milhão de prejuízo por mês. Assim, o MP continuou recomendando ao Município que não levantasse a intervenção.


A Seferin & Coelho, que assinara o primeiro contrato de compra e venda com a Sefas - então dona do hospital, era intermediária de Henrique Vorcaro, assim como Felipe Alves Vieira e sua empresa Health. Vorcaro estava por trás das empresas, conforme ata de reunião na Promotoria de Justiça.


Posteriormente, a Sefas assinou contrato com a Prolife, que tinha Felipe Alves Vieira, da Health, com participação de 80%. A partir daí, surgem novos intermediários na negociação. E o MP faz algumas exigências: 1 - um plano de operação/trabalho que funcione, com a continuidade do atendimento à população pelo SUS; 2 - exigência de instituição de gravame irrevogável de obrigatoriedade de destinação para saúde pública, na matrícula do imóvel, onde seria edificado o novo hospital; 3 - compensação à comunidade de Gramado. O argumento era: por qual motivo ela abriria mão de um imóvel valioso no centro da cidade (se não for para uso hospitalar) por outro localizado nos arrabaldes da cidade e, portanto, com um valor de área muito menor.


A Prolife chegou a pagar duas parcelas do contrato de compra com a Sefas. As demais só seriam pagas com o levantamento da intervenção, o que não veio a ocorrer.


Diante do impasse, a Sefas começou a pressionar o Município  para comprar o hospital, pois passou mais de ano sem que a Prolife conseguisse atender as exigências do MP. A  Prolife pedia prazo para apresentar a reorganização societária, com a participação de Henrique Vorcaro, mas isso nunca aconteceu. Aí

o município  teve que adquirir o hospital da Sefas.


Hoje, Henrique Vorcaro está no presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por conta do escândalo do Banco Master, comandado por seu filho Daniel Vorcaro.

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