O modelo turístico de Gramado está em cheque. O que fazer?

Preço das passagens aéreas não é o único motivo para a queda do movimento

Uma rua vazia com muitos prédios ao fundo

A queda do movimento turístico de Gramado a partir dos eventos climáticos extremos de novembro de 2023, não estão vinculados somente ao alto preço das passagens aéreas, como quer fazer crer a Prefeitura de Gramado. Ela é muito mais ampla, e passa por uma frase que esta coluna ousa lançar: "o modelo turístico de Gramado está em cheque".


Por muitos anos, e até décadas, Gramado surfou na onda de destino qualificado de inverno, de cidade limpa e acolhedora, e de empreendimentos surpreendentes. Tudo isso continua verdadeiro, mas o turista começou a ficar com um pé atrás com os preços das diárias, restaurantes e atrações temáticas. O decreto de Calamidade Pública assinado pelo prefeito Nestor Tissot (PP) em novembro do ano passado, foi a senha para os questionamentos. Começou com a fake news de que a cidade havia se partido ao meio, uma espécie de vingança de seus detratores, como se os preços fossem diminuir na semana seguinte. 


O Município não soube responder com vigor as fake news. Há tempos, a comunicação do destino encontra-se defasada. Em vez de investimentos no digital, em mídia espontânea - que sempre alavancou Gramado, continuamos distribuindo folders e indo para eventos decadentes de agentes de turismo gastando uma verdadeira fortuna.


Os números são implacáveis. No primeiro trimestre do ano, Gramado fechou 335 vagas de trabalho informal. Enquanto isso, o Brasil abriu 474,6 mil e o Rio Grande do Sul nada menos do que 45,7 mil. Como se vê, o problema não está no atual Governo Federal ou nos preços das passagens. (Aliás, sobre este último item, tudo é uma questão de poucos competidores na aviação civil brasileira.) O problema está aqui em Gramado. Haverá público para tantos restaurantes, parques temáticos e hotéis? O que temos feito para inovar a divulgação do destino? A resposta é: "o modelo turístico de Gramado está em cheque". E se não houver união em torno da busca de uma solução, a tendência é que novas carteiras de trabalho sejam cortadas nos próximos meses.

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